A Covid-19, desde março de 2020, no Brasil, fez com que grande parte das empresas repensasse seu modelo de negócios, as forças e fraquezas de seu setor e como poderiam se modernizar para enfrentar uma pandemia que forçou boa parte da população a ficar em casa para evitar uma contaminação eminente.

Dentre as diversas formas que se pode otimizar um negócio está a combinação de forças com outros players do mesmo mercado ou mercados adjacentes. Elas podem ser realizadas por meio de negócios distintos, a depender dos objetivos dos envolvidos, de sua estrutura societária, de seu apetite a risco, dentre outros fatores.

Uma das formas conhecidas para a implementação de uma parceria entre dois ou mais negócios são as joint ventures. O objetivo é a criação de um negócio separado aos já existentes, mas que, devido à sinergia existente entre as empresas, pode ser extremamente vantajoso para as partes. As joint ventures podem ser utilizadas também como um primeiro passo para uma futura compra dos ativos da outra empresa ou para uma fusão entre os envolvidos.

As joint ventures não possuem forma jurídica definida, podendo ser implementadas das mais diversas formas – sociedades em comum, sociedade em conta de participação, consórcios, sociedades de propósito específico – já que o objetivo é a criação de um negócio no qual cada parte irá trazer sua expertise e que gerará crescimento compartilhado.

O ano de 2020 e o início de 2021 foram particularmente desafiadores e, para alguns setores em especial, – eventos, transportes, turismo, bares e restaurantes – ainda mais, já que dependem, essencialmente, da concentração de pessoas.

Os desafios surgidos levaram a um número recorde de transações (aquisição de controle, compras de ações, joint ventures, fusões, incorporações e cisões). Segundo levantamento realizado pela PricewaterhouseCoopers[1] (PWC), houve um aumento de 14% (quatorze por cento) nas transações em relação a 2019 e de 48% (quarenta e oito por cento) em relação a média dos últimos 5 (cinco) anos.

Apesar do número total das transações ter aumentado, com um crescimento expressivo nas operações de aquisição de controle, compras de ações e fusões, as joint ventures apresentaram uma queda de 61% (sessenta e um por cento) entre 2019 e 2020, segundo o levantamento da PWC.

Mesmo com tal queda, foi possível verificar na mídia anúncios interessantes relacionados à joint ventures.

A Nova Cipasa, segunda maior desenvolvedora de projetos urbanos do Brasil, celebrou uma joint venture com a urbanizadora gaúcha Cotiza. A parceria prevê o lançamento de 11 empreendimentos até o final de 2021 e um total de 22 até 2026, com investimentos totais de R$2,5 bilhões nos estados do Rio Grande do Sul, Santa Catarina e Paraná. As empresas apostaram que o isolamento, imposto pela Covid-19, e as reduções de juros para financiamentos com a queda na Taxa Selic, levariam a uma maior procura por moradia em áreas maiores e mais isoladas para aqueles que podem exercer seu trabalho de forma remota, principalmente para as classes A e B.

A Delta Airlines e a Latam formaram uma aliança estratégica de seus serviços de transporte aéreo nos Estados Unidos, Canadá, Brasil, Chile, Colômbia, Paraguai, Peru e Uruguai visando uma combinação das malhas aéreas altamente complementares das companhias e melhorando a experiência para os clientes (compartilhamento de pontos, salas vip, facilidade em conexões).

A Taurus, fabricante de armas e munições, e a Joalmi, fabricante de peças automotivas, celebraram uma joint venture, para a fabricação de acessórios, carregadores e outros componentes relacionados ao mercado da Taurus. Segundo o CEO da Taurus “A criação da joint venture vai tornar a Taurus autossuficiente na produção de carregadores, mercado atualmente dominado por poucos fornecedores estrangeiros.” A nova empresa terá participação de 51% (cinquenta e um por cento) da Taurus e 49% (quarenta e nove por cento) da Joalmi, e começará sua operação ao longo de 2021.

Assim, é possível perceber que houve muita movimentação no mercado após o baque inicial do primeiro período de isolamento. Além disso, muitos dos players de mercado que possuíam caixa resolveram comprar concorrentes ou entrar em mercados que consideram estratégicos para seus negócios.

Observa-se que, apesar de as joint ventures não terem sido a forma mais preponderante para a realização das operações durante o ano de 2020, seu modelo ainda é muito importante para os negócios e pode encontrar bastante utilização ao longo de 2021, tendo em vista sua possibilidade de compartilhamento de riscos e custos entre os players envolvidos, do emprego de sinergias e da combinação de expertises existentes, que podem ser excelentes atrativos para que as empresas ingressem em novos mercados e desfrutem de novas oportunidades que, por conta própria, estariam impossibilitadas ou teriam grandes dificuldades comerciais, operacionais ou financeiras.

Havendo dúvidas com relação à joint ventures e como essas estruturas podem auxiliar no seu negócio, nossa equipe Societária estará à disposição para esclarecê-las.

 

 

 

FELIPE LOPES DE FARIA CERVONE

felipe.cervone@fius.com.br

 

CAUÊ JORGE DE ALMEIDA

caue.almeida@fius.com.br

 

TOMÁS VAZ DE OLIVEIRA BRANDÃO

tomas.brandao@fius.com.br

 


[1] Disponível em: https://www.pwc.com.br/pt/estudos/servicos/assessoria-tributaria-societaria/fusoes-aquisicoes.html