Lançado no ano 2000 pelo então secretário-geral das Nações Unidas, Kofi Annan, o Pacto Global da ONU é uma chamada para as empresas alinharem suas estratégias e operações a 10 princípios universais nas áreas de Direitos Humanos, Trabalho, Meio Ambiente e Anticorrupção, e desenvolverem ações que contribuam para o enfrentamento dos desafios da sociedade.

É há algum tempo a maior iniciativa de sustentabilidade corporativa do mundo, com mais de 16 mil membros, entre empresas e organizações, distribuídos em 69 redes locais, que abrangem 160 países.

Na visão do ex-secretário, falecido em 2018, disseminar as boas práticas empresariais não era uma retórica para convertidos, mas sim um processo em passos curtos rumo a uma mudança profunda da gestão mundial de negócios.

O entendimento é de que o setor privado teria um papel essencial nesse processo como grande detentor do poder econômico, propulsor de inovações e tecnologias, influenciador e engajador dos mais diversos públicos – governos, fornecedores, colaboradores e consumidores.

E quem integra a iniciativa do Pacto assume ainda a responsabilidade de contribuir para o alcance dos Objetivos de Desenvolvimento Sustentável, o que o mercado se acostumou a chamar de ODS.

Esses ODSs identificam 17 diretrizes para a promoção do crescimento sustentável e da cidadania a serem atingidos até 2030, passando pelo respeito aos direitos humanos, erradicação da pobreza, luta contra a desigualdade e a injustiça, alcance da igualdade de gênero, o empoderamento de mulheres e meninas, agir contra as mudanças climáticas, bem como enfrentar outros desafios de nossos tempos.

Abaixo a disposição gráfica desses ODSs, que são quadrinhos que muitos já devem ter visto em documentos institucionais e governamentais que tratam de temas como sustentabilidade e meio ambiente:

Por vezes, a operação de uma empresa pode estar naturalmente alinhada a alguns desses ODSs, e não a todos, como uma empresa ligada à área de saúde que desenvolve um produto que repercute nos itens 3, 6, 9 e 11, por exemplo.

Sem problemas. A ideia é manter no radar institucional os demais ODSs, zelando para que sejam observados e incorporados em suas operações novos projetos e desenvolvidos de maneira gradual, mas efetiva.

E se você, gestor, tem se interessado – ou se preocupado – com um assunto muito discutido nas pautas atuais, a agenda ESG (Environmental, Social and Governance) e está vendo relação entre essa iniciativa da ONU – de quase 20 anos, diga-se – e o que estão debatendo nesse momento, você está correto.

Note que questões ambientais, sociais e de governança estão apontadas nos ODSs e podem auxiliar uma empresa servindo como um norte em suas atividades cotidianas e em novos projetos.

De alguma forma os ODSs 6, 13, 14 e 15 estariam alinhados com o meio ambiente (E), os ODSs 1, 2, 3, 4, 5, 7, 11 3 16 alinhados com a sociedade (S), e o 8, 9, 10 e 12 alinhados com e a Economia (G).

E se ainda há alguma dúvida de que esses temas devem estar na pauta prioritária das discussões de uma empresa, a fala do presidente do BNDES, Gustavo Montezano, resume o assunto: “Quando você atrela o seu negócio a uma causa tangível, que impacta positivamente a sociedade, você se torna resiliente às mudanças. É uma grande vantagem competitiva. Temos a convicção de que daqui a 5, 10 anos, ESG será o padrão e todas as empresas serão ESG. Porque as que não forem acabarão saindo do jogo”.

Aos que quiserem mais informações sobre o Pacto Global da ONU e os ODSs, acesse https://www.pactoglobal.org.br/ods

 

 

 

MARCO OROSZ

marco.orosz@fius.com.br