Nos últimos anos, dois temas têm chamado atenção do mercado consumidor em geral, são eles: bitcoins e sustentabilidade. Entretanto, esses temas não estavam sendo tratados conjuntamente ou de forma sistêmica no mundo dos negócios.

Como é do conhecimento notório, o uso de bitcoin se tornou popular quando as grandes empresas passaram a aceitá-las para pagamento de bens. Até então, as discussões levantadas quanto ao uso de bitcoins nos meios de comunicação se referiam a sua rastreabilidade, confiabilidade, ausência de órgão central controlador, bem como inexistência de marco regulatório que pudesse dar segurança jurídica às operações realizadas.

Pois bem, o tema sustentabilidade, em especial o ESG, ganhou especial atenção nos últimos anos durante a pandemia, vez que os investidores e as empresas sentiram o impacto da vulnerabilidade econômica gerada pelas questões sanitárias, ambientais e sociais e, ainda, na materialização de riscos não econômicos até então. Acredito que a capa da revista “The Economist”, edição de 21 de março do ano passado, a qual expôs a imagem do globo terrestre com a frase “Closed” (Fechada), é ilustrativa do momento histórico vivido.

Algumas empresas já estavam em linha com um mercado econômico em que se busca serviços e produtos que se adequem a uma economia de baixo carbono e que contribuam com as metas de emissão de gases de efeito estufa. Passada essa fase, o uso da tecnologia das criptomoedas como forma de pagamento para empresas integradas a esse novo mercado foi questionado pela análise do consumo da energia demandada.

Ocorre que o processo pelo qual a criptomoeda é gerada, denominado de mineração, bem como a sua transação, advém de diversos cálculos realizados por computadores de alta potência. Assim, o processo incorre no uso intensivo de energia, geralmente obtida a partir de combustíveis fósseis, principalmente do carvão.

Evidentemente, o uso de fontes não renováveis e o alto consumo energético que são ligados às bitcoins trazem contradição e incompatibilidade com os atuais modelos sustentáveis adotados por alguns produtos de consumo. A sustentabilidade, por sua vez, tem atuado com grande importância nas decisões de mercado, ocasionando em debates pertinentes e influindo em decisões de compra dos consumidores que hoje estão mais exigentes quanto a questão socioambiental dos produtos adquiridos.

Tal realidade restou evidenciada no último mês, ocasião em que o CEO da montadora de veículos elétricos Tesla, Elon Musk, declarou que a empresa não aceitará mais o uso das bitcoins, em razão das consequências climáticas. Em decorrência da declaração, as cotações da bitcoin caíram em altas porcentagens, o que revela que os impactos das decisões relacionadas ao ESG influenciam os mercados financeiros e na valuation das empresas.

A equipe Ambiental e Sustentabilidade do Finocchio e Ustra Sociedade de Advogados está à disposição para prestar os esclarecimentos que se fizerem necessários.

 

 

 

LUCIANA CAMPONEZ PEREIRA MORALLES

luciana.moralles@fius.com.br