Para aqueles que acompanham a evolução da agenda ESG no Brasil e no mundo, seja por artigos, notícias ou fóruns de debate, provavelmente já se depararam com uma expressão: capitalismo de stakeholders.

Todavia, uma explicação clara do que seria esse capitalismo nem sempre acompanha sua referência e aqui vamos tentar esclarecer seu conceito e expor situações em que esse modelo econômico se aproxima das práticas ESG.

Iniciemos, porém, com as partes interessadas. Essa é a definição ampla de stakeholder, sobretudo no contexto aqui discutido. Todos os envolvidos em um assunto, negócio ou política, sejam acionistas, governantes, consumidores, colaboradores, fornecedores, ou comunidade em geral, podem ser tidos como stakeholders.

Por sua vez, capitalismo, em uma definição de dicionário, é o sistema econômico baseado na legitimidade dos bens privados e na irrestrita liberdade de comércio e indústria, com o principal objetivo de maximizar lucros e distribuí-los aos seus acionistas/investidores.

Então como seria o capitalismo de interessados?

Segundo Klaus Schwab, engenheiro e economista alemão, a mente por detrás do conceito, “o capitalismo de stakeholders é uma forma de capitalismo em que as empresas não apenas otimizam os lucros de curto prazo para os acionistas, mas buscam a criação de valor de longo prazo, levando em consideração as necessidades de todos os seus stakeholders e da sociedade em geral.”

E é no processo de criação de valor em longo prazo que passa a ser de suma importância às empresas a participação dos interessados, os stakeholders, sobretudo ouvindo suas opiniões, pleitos, necessidades e preocupações.

Schwab, diga-se, é o fundador do Fórum Econômico Mundial, uma organização internacional para a cooperação público-privada que organiza anualmente um encontro dos principais líderes empresariais e políticos do mundo todo em Davos, na Suíça.

No conceito de Schwab, as corporações capazes de alinhar os seus objetivos com os objetivos de uma sociedade serão as mais preparadas para criar valor   em longo prazo.

É esse o momento em que o capital e o lucro buscam alinhamento com as questões ambientais, sociais e de governança corporativa, justamente o ESG.

O sucesso de uma empresa não será mais medido apenas pela quantidade de riqueza e dividendos gerada e distribuídas aos seus acionistas, mas também pelos impactos positivos na comunidade em que atua, no meio ambiente ao seu redor, no respeito a direitos humanos, no uso adequado de recursos naturais, dentre diversos outros pontos.

O futuro indica para um capitalismo de prosperidade a partir da agregação de valores comuns, de mais Es e não de OUs.

A empresa terá que ser viável economicamente E ambientalmente responsável E socialmente engajada E fazendo tudo isso de maneira transparente e alinhada com as boas práticas de governança corporativa. Não poderá ser uma coisa OU outra. O lucro não poderá ser obtido em detrimento do social ou do ambiental. Terá de ser obtido também com sucesso nessas vertentes.

Como bem diz o Movimento B – comunidade global criada em 2006, nos Estados Unidos, com o objetivo de redefinir o sucesso na economia para que sejam considerados não apenas o êxito financeiro, como também o bem-estar da sociedade e do planeta -, os boards, acionistas e investidores que quiserem que suas empresas prosperem devem ajustar o foco: não precisam ser a melhor empresa do mundo, mas a melhor empresa para o mundo.

Por sugestão do Fórum Econômico Mundial, para aferir a sustentabilidade de uma empresa e seu compromisso com um capitalismo de stakeholders, devem ser observadas 55 métricas, distribuídas em quatro pilares: princípios recorrentes de governança, pessoas, planeta e prosperidade.

E se por um lado a agenda ESG está intimamente ligada ao conceito de Schwab, criador e criatura, de outro já antevê um movimento claro das gerações futuras, que exigirão um impacto positivo no centro da estratégia das empresas, garantindo a sustentabilidade de seus processos no dia a dia.

Um sinal de que o capitalismo de stakeholder já é uma realidade? Indicadores ESG já constam das métricas de desempenho, remuneração e sucesso dos executivos.

Produzir resultados positivos para os negócios, para a economia, para a sociedade e para o planeta, esta é a definição do capitalismo de stakeholders.

 

 

 

 

MARCO OROSZ

marco.orosz@fius.com.br