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Novos eixos urbanos redesenham o mercado imobiliário

Moradia, mobilidade e uso misto criam novas centralidades e ampliam oportunidades para empreendimentos mais conectados à cidade.

Por Luis Felipe Dalmedico Silveira, Victória Garcia Nunes Rosa, Larissa Kainy de Oliveira

O avanço do mercado imobiliário não transforma apenas o volume de lançamentos ou o preço dos imóveis. Ele também modifica a forma como as cidades crescem, onde as empresas se instalam e como as pessoas escolhem morar, trabalhar e consumir. Nesse contexto, os novos eixos urbanos ganham relevância ao aproximar moradia, mobilidade, serviços e atividades econômicas. Mais do que ocupar novas áreas, esse movimento exige planejamento urbano capaz de integrar os empreendimentos à dinâmica real de cada região.

Os números ajudam a dimensionar essa transformação. Em 2025, o mercado residencial brasileiro alcançou 453 mil unidades lançadas e valor geral de vendas de R$ 264,2 bilhões, crescimento de 10,6% em relação ao ano anterior, segundo dados do GRI Hub divulgados pela imprensa. Ao mesmo tempo, a PNAD Contínua identificou 79,3 milhões de domicílios particulares permanentes no Brasil. Entre 2016 e 2025, o número de imóveis alugados aumentou 54,1%, enquanto o total de apartamentos cresceu 48,7%. Esses dados mostram que o crescimento do mercado imobiliário acompanha mudanças relevantes no perfil das famílias e nas formas de ocupação das cidades.

Na prática, as pessoas passaram a valorizar ainda mais a proximidade com transporte público, comércio, serviços, lazer e oportunidades de trabalho. Com isso, regiões antes predominantemente residenciais, industriais ou periféricas começam a receber projetos de uso misto, escritórios, centros comerciais e novas soluções de moradia. Os novos eixos urbanos surgem justamente dessa combinação. São centralidades que reduzem a dependência dos polos tradicionais e distribuem atividades econômicas por diferentes partes da cidade.

Esse processo, porém, não depende apenas de bons projetos arquitetônicos. O planejamento urbano precisa considerar a capacidade da infraestrutura local, as regras de uso e ocupação do solo, a situação registral dos imóveis, os impactos ambientais e a articulação com o poder público. Antes da aquisição de um terreno ou do lançamento de um empreendimento, é importante compreender quais usos são permitidos, quais aprovações serão necessárias e quais obrigações poderão afetar o cronograma e o investimento. Quanto mais cedo esses aspectos forem analisados, maior será a segurança para estruturar o projeto e tomar decisões.

A reocupação de antigas áreas industriais representa um exemplo importante. Esses imóveis costumam estar bem localizados e próximos de infraestrutura consolidada, mas podem apresentar desafios relacionados à regularização, à descontaminação do solo e à compatibilidade entre o uso pretendido e as características do entorno. Quando conduzida com responsabilidade técnica, jurídica e ambiental, a requalificação urbana permite recuperar espaços subutilizados e criar bairros mais conectados, diversos e funcionais. A matéria que inspira esta análise destaca projetos que combinam residências, escritórios, hotelaria, comércio e equipamentos culturais em regiões anteriormente marcadas pela atividade industrial.

O crescimento do mercado imobiliário, portanto, deve ser compreendido como parte de uma transformação urbana mais ampla. Os empreendimentos capazes de gerar valor no longo prazo serão aqueles que dialogarem com as necessidades das pessoas, com a infraestrutura disponível e com as características de cada território. Para que os novos eixos urbanos se consolidem de maneira sustentável, será fundamental combinar inovação, segurança jurídica e planejamento urbano. O desafio não é apenas construir mais, mas desenvolver projetos que façam sentido para a cidade e para quem vive nela.